O outro esta te incomodando? Olhe para dentro

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O outro esta te incomodando

Existem muitas situações onde o outro esta te incomodando e você não sabe como lidar com isto?

Você já se perguntou por que o outro esta te incomodando? Será que este motivo esta relacionado realmente com o outro ou com você mesmo?

Freud reconhece este incômodo que sentimos em relação aos outros de contratransferência. Entenda, a transferência trata-se do processo pelo qual o paciente em ambiente terapêutico transfere os sentimentos pelos pais para seu terapeuta e este processo é importante durante a terapia psicanalítica até mesmo para ajudar o paciente em relação ao que sente.

O terapeuta também pode passar por situação semelhante em relação ao seu paciente e quando isto acontece, ele precisa administrar estes sentimentos para entender melhor seus pacientes e a si mesmo.

Explicando de um jeito bem simples, a contratransferência acontece quando nos sentimos incomodados com o outro, justamente por desencadear em nós sentimentos referentes a nossa própria história de vida ou a pessoas que passaram por nossas vidas e mexeram com nossos sentimentos.

Ou seja, quando o outro esta te incomodando, provavelmente ele despertou em você sentimentos ou gatilhos que te causaram uma sensação de estar revivendo algo em sua vida que você não gostou. Se pergunte o motivo ou com quem aquela pessoa se parece, provavelmente você irá ter a surpresa dela se parecer em alguns aspectos com alguém de sua história de vida.

Um estudo realizado pela Universidade de Maryland, Andrés E. Pérez-Rojas e outros (2017) fornece uma visão sobre o processo de contratransferência. Uma amostra de 382 supervisores identificados através do diretório de terapeutas praticantes da American Psychological Association completou a Escala de Gerenciamento de Contratransferência (CMS) on-line. Eles classificaram seus funcionários em uma variedade de comportamentos que representam o tratamento de seus sentimentos em relação a seus pacientes. 

Ao condensar a escala de contratransferência até sua dimensão subjacente, Pérez-Rojas et al. identificaram dois fatores – a capacidade de ser empático em relação aos clientes e a capacidade de compreender a si mesmo e administrar a ansiedade ou, conforme definem, a “posse de limites apropriados dentro da hora terapêutica e a capacidade de conter, regular e experimentar a ansiedade durante a psicoterapia.

Traduzindo esses itens para suas próprias interações com as pessoas que o incomodam, isso significaria que ser capaz de acessar a visão de mundo da outra pessoa e, então, manter seus sentimentos de ser incomodado seriam estratégias adaptativas de enfrentamento.

O estudo se refere ao atendimento terapêutico, mas há muito do quê podemos aproveitar em nossos relacionamentos diariamente. Ou seja, quando temos conhecimento de nós mesmos, do quê em nossa vida nos incomoda e das situações vivenciadas, podemos perceber facilmente as características nos outros que nos despertam mal estar.

Preciso conviver com alguém que me incomoda?

Depende. Se você tem total controle sobre esta convivência, pode simplesmente não ter contato, justamente para se proteger de situações incômodas até que se sinta fortalecido para lidar com isto sem se afetar emocionalmente.

Se é o caso de ser um chefe ou colega de trabalho e não há para onde fugir, olhar para dentro e começar a se questionar o motivo de tanto incômodo é importante para que estes sentimentos não atrapalhem o curso natural de sua vida.

Se você não estiver conseguindo lidar com estes turbilhões de emoções sozinho, procurar ajuda terapêutica é essencial.

4 dicas para te libertar em situações em quê o outro esta te incomodando:

1. Analise de forma honesta este incômodo

Se pergunte se esta pessoa é realmente incômoda ou se ela age como age tentando suprir alguma necessidade emocional. Se pergunte se há alguma verdade no comportamento daquele pessoa e veja como os outros lidam com ela e quem esta tendo sucesso nas interações com aquela pessoa.

2. É só você o incomodado?

Isto pode dizer muito mais sobre você mesmo do quê sobra a pessoa em si. Segundo o estudo de Pérez-Rojas, a contratransferência é praticamente inevitável na terapia, que dirá na vida cotidiana.

Se somente você é o incomodado, é praticamente certo que você vivencia um momento de contratransferência. Tente então se lembrar e descobrir com quem esta pessoa se parece (não apenas aspectos físicos, mas principalmente o jeito de ser) e racionalizar estas semelhanças.

Você vai perceber que aquela pessoa, apesar de ser muito parecida com um outro qualquer que passou pela sua vida, não é aquela pessoa. Assim será mais fácil colocar seus sentimentos nas devidas caixinhas e até mesmo achar graça deles.

3. Não fique remoendo este incômodo

Não pense nesta pessoa, não fale sobre ela e se possível não demonstre para outras pessoas o quanto determinado sujeito te incomoda. Ninguém gosta de quem fala mal dos outros, a não ser que esta pessoa também faça isto. O que significa que ela pode sair por aí contando sobre o quanto fulano te incômoda e até mesmo para o próprio. Aprenda a gerenciar seus sentimentos e se adapte para não se prejudicar.

 

4. Se o incômodo é grande demais, tente se proteger

Veja, há grandes diferenças entre estar sendo assediado por alguém e alguém te incomodar sem se direcionar especificamente para você. Se você esta sendo assediado, busque ajuda para resolver esta situação.

Se o caso trata-se apenas de você não concordar com o jeito de ser e agir de alguém e isto te afetar demais, você pode simplesmente não interagir mais com esta pessoa até que se sinta bem emocionalmente para lidar com isto sem sofrer. Isto mesmo, se dê férias da pessoa.

Se relacionar com as pessoas de forma saudável é difícil e pode ser que as vezes você se sinta afetado por algo que alguém disse ou fez. Quando estamos fortalecidos sobre quem realmente somos, no que acreditamos e como devemos levar nossas vidas, ter estabilidade emocional para lidar com o diferente é muito fácil e pode ser uma experiência rica de aprendizado.

Da mesma forma, se sentir incomodado com o outro, nos dá sinais sobre o que precisamos resolver em nossa vida para vivermos melhor. Olhar para dentro é um exercício difícil de se fazer, mas que gera muitas melhoras e avanços em nossas vidas. Não tenha medo, se você não gostar do quê esta vendo lá dentro, coloque a mão na massa e tente faxinar este porão.

Leia também:

Referências:

Pérez-Rojas, A. E., Palma, B., Bhatia, A., Jackson, J., Norwood, E., Hayes, J. A., & Gelso, C. J. (2017). The development and initial validation of the Countertransference Management Scale. Psychotherapy, 54(3), 307-319. doi: 10.1037/pst0000126


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