O que é somatização: seu corpo fala aquilo que você cala

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O que é somatização

Seu corpo fala aquilo que você cala, esta frase parece ser bem clara sobre o que é somatização.

No entanto, entender o que é somatização pode ser um processo um pouco mais complexo do que isto, apesar de parecer muito claro.

No senso comum, a somatização é a expressão de fatores psicológicos ou emocionais como sintomas físicos (somáticos). Toda a angústia de uma pessoa passa a ter foco central em sua dor física, assim, elas não sentem necessidade de procurar um atendimento psicológico e nem sempre percebem que precisam.

Lipowski (1968) definiu a somatização como “a tendência a experimentar, conceituar e/ou comunicar estados psicológicos ou conteúdos como sensações corporais, mudanças funcionais ou metáforas somáticas”. Essa definição enfatiza a interpretação do paciente dos sintomas. Kellner (1991) conceitua a somatização como envolvendo a “ocorrência de sintomas físicos que não são apoiados por patologia física reconhecível ou suficiente”.

Definir a somatização é complexo. O termo tem sido uma palavra abrangente para conceitos diferentes e sobrepostos, e pesquisas relacionadas usaram freqüentemente diferentes definições de somatização.

O que é somatização na teoria psicanalítica

A somatização se desenvolveu a partir da teoria da histeria de conversão de Freud (1894). O princípio básico desta teoria era que a ansiedade despertada pelo conflito inconsciente é convertida em sintomas físicos. Como o conflito é intolerável para a mente consciente, não é reconhecido. No entanto, os sintomas físicos mais “socialmente aceitáveis” são uma forma de expressar aflição. A pessoa não está ciente desse processo, pois ele ocorre no nível inconsciente.

O ganho para a pessoa é a redução da consciência do conflito e, portanto, a redução da ansiedade.

Conceituações psicanalíticas mais recentes de somatização (Bucci, 1997) propõem que a desconexão ocorre, durante o desenvolvimento, entre sistemas de informação verbal e não-verbal, e entre formas de processamento simbólicas e subsimbólicas. O sistema não-verbal incorpora representações e processos em todas as modalidades sensoriais, incluindo formas motoras e corporais. Em termos desse modelo, a somatização envolve uma dissociação, dentro dos esquemas emocionais, entre os padrões de ativação somática e a representação simbólica dos objetos.

O pensamento psicanalítico freudiano foi a teoria utilizada por De Gucht & Fischler (2002) para gerar a distinção entre somatização presente e funcional, portanto, por definição, a teoria freudiana poderia abarcar ambos os aspectos dessa distinção. No entanto, a visão psicanalítica moderna representada por Bucci (1997) parece conter uma suposição de que a dificuldade de compreensão e processamento emocional está subjacente à somatização e, portanto, essa perspectiva se encaixa melhor no modelo de somatização apresentado. Via: Emotional Processing

Emoções são uma experiência física, bem como uma experiência psicológica ou cognitiva. Em termos de desenvolvimento, as emoções são consideradas eventos basicamente biológicos, com sentimentos subjetivos como um componente secundário desenvolvido (Taylor, 1997).

Quando uma pessoa somatiza alguma angústia, aquilo que a provoca pode não ser reconhecido e a reação fisiológica é percebida como uma evento primário no ser. A pessoa pode até experimentar sentimentos emocionais, mas os interpreta como sensações físicas, ou, a pessoa experimenta sensações físicas, mas não experimenta os aspectos emocionais e cognitivos.

Assim torna-se impossível encontrar uma forma de lidar com o estímulo causador da somatização, além de não conseguir processar a emoção de forma saudável. Como dito no início, a pessoa que vivencia a somatização, provavelmente não possui consciência da emoção envolvida no processo.

O sintomas então são tratados apenas no aspecto físico, se tornando recorrentes e sendo rotulados de forma que não fiquem totalmente claros, os aspectos emocionais são desconsiderados e a pessoa experimenta uma permanência contínua de sintomas somáticos.

A perspectiva psicanalítica da somatização supõe que um mal funcionamento da emoção, vindo de forma inconsciente, causa sofrimento emocional representado e/ou entendido de forma física. Não se trata de um sentimento ou angústia reprimida, mas sim na forma como a emoção é experimentada pelo sujeito. Sendo assim, evita-se o surgimento da emoção e a re-canaliza para sintomas físicos como manifestações presentes.

O que nos sugere que, se o que se deseja é não somatizar doenças, então permita-se sentir suas emoções, por mais doloridas que elas sejam.

Entenda a partir de um outro ângulo sobre a somatização:

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